sábado, 5 de novembro de 2011

Hino à Bandeira

JUVENIL OU VARONIL?
JUVENIL OU VARONIL?

Quando estudante do primário, na época em que as escolas ensinavam a cantar os hinos pátrios, os Hinos Nacional Brasileiro e à Bandeira eram, por motivos óbvios, os primeiros que aprendíamos a cantar. Naquele tempo, aprendi a cantar o Hino à Bandeira com a palavra Juvenil no estribilho. Atualmente, a maioria das gravações que ouvimos vêm com a palavra Varonil.

Em pesquisa realizada via internet, encontramos vário sites que contêm a letra do Hino à Bandeira, sendo que alguns trazem a palavra Juvenil e outros Varonil.

Dentre os vários endereços eletrônicos pesquisados, encontramos o do Ministério do Exército, que traz uma explicação acerca da questão. Esse texto, já foi divulgado pelo Irmão Silvio Cláudio no Boletim nº 19 de 27.10.99, do Grande Oriente do Brasil. Contudo, tendo em conta que a circulação daquele Boletim é restrita às Lojas da Obediência, tomamos a liberdade de reproduzir a matéria, para que os demais Irmãos dela tomem conhecimento. Eis o texto:

“Juvenil ou Varonil? Esta é a dúvida que todo ano surge acerca da letra do Hino à Bandeira, haja vista circularem versões contendo as duas expressões.

“Em face do problema, foi empreendida uma pesquisa junto à Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, ao Centro de Documentação do Exército e à própria Biblioteca do Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEX).

“O Hino à Bandeira surgiu de um pedido feito pelo Prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos, ao poeta Olavo Bilac para que compusesse um poema em homenagem à Bandeira, encarregando o professor Francisco Braga, da Escola Nacional de Música de criar uma melodia apropriada à letra. Em 1.906, o hino foi adotado pela prefeitura, passando, desde então, a ser cantado em todas as escolas do Rio de Janeiro. Aos poucos, sua execução estendeu-se às corporações militares e às demais Unidades da Federação, transformando-se, extra-oficialmente, no Hino à Bandeira Nacional, conhecido de todos os brasileiros.

“O Boletim do 1o Trimestre de 1.906 da Intendência Municipal, publicado pela Diretoria Geral da Polícia Administrativa, Arquivo e Estatística, da Prefeitura do Rio de Janeiro, apresenta a letra e a partitura do Hino à Bandeira, como resultado das gestões de Francisco Pereira Passos. Nessa publicação – a mais antiga entre as levantadas – aparece a palavra juvenil.

“A 2a edição do livro “A Bandeira do Brasil”, de Raimundo Olavo Coimbra, publicada em 1.979 pelo IBGE, em sua página 505, publica o hino com a palavra juvenil no estribilho.

“Não existe nenhum ato oficial do governo federal adotando ou modificando a letra do Hino à Bandeira.

“Diante do acima exposto, o CCOMSEX decidiu publicar no NE a versão do Hino à Bandeira que contém a palavra juvenil no estribilho, uma vez que assim consta na publicação mais antiga do hino que se tem notícia e, considerando, ainda, a inexistência de qualquer ato oficial do governo federal acerca do assunto. Levou-se em consideração, finalmente, a participação de organizações militares (OM) nas cerimônias de culto à Bandeira em praças públicas. Esses eventos, mediante incentivo de nossas OM, vem contando com presenças significativas de estabelecimentos de ensino civis, onde vigora a versão do hino com a expressão juvenil no estribilho, havendo portanto, a necessidade de uniformizar o canto do Hino à Bandeira entre civis e militares.”

As edições de 2.000 e 2.001 do Livro dos Dias, da Infinity Editorial, assim com o livro Saudações ao Pavilhão Nacional, de Xico Trolha, trazem a letra do hino com a palavra juvenil.

O CD comemorativo editado pelo Grande Oriente do Brasil quando da realização do Congresso COMPASSO PARA O FUTURO traz o hino com a palavra juvenil. Por outro lado, os CDs editados pelo Grande Oriente do Estado de Goiás e pela Loja Elias Nekar de Ribeirão Preto(SP), ambos destinados às sessões de iniciação, trazem o hino com a palavra varonil.

Particularmente, à vista do esclarecimento acima descrito, oriundo do Ministério do Exército, entendemos que a expressão correta seja JUVENIL. Contudo, caso algum Irmão tenha alguma informação que possa alterar esse posicionamento, seria interessante que a divulgasse com o objetivo de contribuir para a uniformização do nosso HINO À BANDEIRA, bem como resgatar o texto original sem interferir no trabalho do poeta Olavo Bilac.

JOSÉ ALVES FRAGA
Membro da Loja Maçônica Estrela da Serrinha 2033
Goiânia - GO

Fonte: http://www.gobgo.org.br/cultural/2009/juvenil.html

AS PALAVRAS DEVEM SER MAIS DO QUE PALAVRAS

AS PALAVRAS DEVEM SER MAIS DO QUE PALAVRAS

“Levantam-se templos à virtude e cavam-se masmorras ao vício”

A Maçonaria tem certos procedimentos que, muitas vezes, passa despercebidos em seu conteúdo à maioria dos Irmãos, no que concerne à alta significância do que representam. Um exemplo disso é o enunciado acima. Respondido durante o episódio do telhamento, as palavras deveriam tocar profundamente quem as pronuncia e quem as ouve, mas elas se perdem no vácuo das sensibilidades, sem que se aperceba da profunda exortação expressada.

Aliás, esse fato é comum na Maçonaria atual.

As palavras são ditas apenas pelo aparelho fonador de quem fala e registradas no aparelho auditivo de quem ouve. São apenas registros físicos que não motiva quem fala ou quem ouve. Para que as palavras surtam o efeito esperado e desejado elas necessitam ser sentidas, tocar o sentimento, o íntimo da pessoa, causando motivação, que transforma comportamentos.

Tudo que penetra em nossos sistemas, pelos órgãos dos sentidos comuns, só conseguirá causar transformação se produzir sentimento motivador. Os fatos indiferentes são inócuos. A repetibilidade de um fenômeno indiferente causará habituação e/ou extinção da resposta provocada inicialmente. Esse preceito é bem conhecido nas ciências biológicas.

A repetição continuada e desmotivada de nossas sessões cria o efeito da habituação ou extinção do sentimento de transformação nos ouvintes das palavras do ritual. Por isso, em nossas sessões maçônicas, o que se diz deveria ser recebido com motivação interior. Para isso acontecer, o maçom necessita estar interessado no desenrolar dos diálogos dos trabalhos e não apenas marcar presença para não se tornar irregular em Loja. Cada palavra que se diz nessas sessões não são palavras vãs. Elas possuem forças concentradas, em sua expressão, que transformam o ouvinte interessado num verdadeiro maçom, transmutando vícios em virtudes.

A história nos mostra que líderes da humanidade, para o bem ou para o mal, transformavam as multidões em aríetes de seus desejos, pela força de sua eloqüência.

As palavras faladas com sentimento, atingem a quem ouve com a energia de quem fala. Daí a grande importância do Venerável dirigir os trabalhos com o sentimento na voz e não apenas com a voz da palavra. Se assim proceder, os seus comandados recebem uma parcela de sua energia interior, tanto maior, quanto maior for sua força moral. Os trabalhos se tornarão mais agradáveis, por mais que se tornem rotineiros, pois, cada sessão nunca será igual a anterior, porque estará acrescida de maior vigor, pela somatória das energias passadas e presentes. Os maçons, por seu turno, se começarem a ouvir sentindo as palavras, irão meditar no seu significado moral com maior interesse em vivenciá-las, pois que acordará do sono letárgico em que se encontram.

É claro que tudo isso depende da vontade interior de cada um em ser ou em se tornar um bom e legítimo maçom.

“Levantam-se templos à virtude” - são belas palavras de exortação. O seu significado não é literal, bem o sabemos. É dever do maçom o cultivo das forças morais, o exercício dos abstratos substantivos tais como paciência, amor, caridade, humildade, perdão, amizade, sinceridade, tolerância, etc., tornando-os concretos adjetivos do maçom. Não podem ser apenas exortações doutrinárias ou religiosas, como alguns imaginam. Para o maçom são comandos interiores que operam a transformação de seu comportamento profano. A Ciência tem provado que o exercício dessas virtudes gera energias positivas nas pessoas, que podem modificar seu estado patológico em estado fisiológico ou sadio, enfim curar doenças. Esse estado energético interior tem a dimensão do tamanho da vontade do indivíduo. A expressão também indica ao maçom que deverá realçar as virtudes encontradas nos Irmãos e não evidenciar os seus defeitos ou vícios na maledicência comum. Se o Irmão apresenta um defeito moral o exercício da virtude nos manda ajudá-lo na sua transformação, usando os meios de que dispomos e os que sejam necessários para essa tarefa. Levantar templos à virtude também está presente quando nos esforçamos para manter a harmonia do lar, onde exercitamos a tolerância, o perdão, a compreensão e sobretudo o amor. Quando trabalhamos para minorar a ignorância e o sofrimento da sociedade também estamos levantando templos à virtude, pois, ela é a extensão do nosso lar.

O objetivo basilar da Maçonaria é promover a evolução moral do maçom, para que ele, moralizado, seja o agente multiplicador dessa moral, na sociedade em que se encontra inserido. Não só agente verbalizador da moral, mas também, e mais importante, um silencioso vivenciador dela, porque o exemplo vale por mil palavras. O levantar templos à virtude toca profundo o ser-maçom, mas se torna apenas belas palavras no estar-maçom.

“Cavam-se masmorras ao vício”- é o corolário do “levantam-se templos à virtude”. Acabar com os vícios significa extinguir o ódio, o rancor, a vingança, a mágoa, a maledicência, a intransigência, a vaidade, o orgulho, o egoísmo, a prepotência, o comodismo, etc., e tantos outros defeitos morais. Os concretos vícios orgânicos como a glutonaria, a sexolatria, a dependência de drogas, jogos de azar, alcoolismo são também alvos da artilharia maçônica, porque são escravizadores do homem. O princípio basilar da liberdade não é apenas o físico, mas também moral e psíquica.

Vício é tudo que degrada o ser humano, portanto, as masmorras são símbolos que nos diz para enterrarmos nossos defeitos, antes que eles nos enterrem (no amplo sentido do termo). Não é fácil realizar isso, porque o prazer que nossos vícios produz em nós é uma enorme força a nos prender. Esse prazer é tão real que nos entorpece a consciência e passamos a não senti-lo como vício. Se alguém assim o diz, duvidamos ou buscamos as devidas desculpas ou explicações para os manter. Entretanto, tocados pelo sentimento maçônico da transformação moral, desenvolvemos uma energia interior para desalojar esses vícios, grandes ou pequenos, de nosso ser. Essa energia a aurimos principalmente durante as sessões ou trabalhos maçônicos, quando comparecemos a eles com a motivação da autotransformação. Essa força de vontade, desenvolvida pela vontade de fazer força, é o instrumento de burilar a pedra bruta, que somos nós próprios.

Quando os maçons se conscientizarem e entenderem o significado moral de cada palavra que se diz em Loja, durante seus trabalhos, e passarem a vivenciá-las no dia a dia, veremos que nos tornamos uma poderosa força de transformação do mundo em todos os sentidos. A expressão “Educa-te a ti mesmo que o mundo se educará” não é expressão apenas das escolas propriamente assim configuradas, mas de todos que trabalham para a evolução da humanidade.

JOAQUIM TOMÉ DE SOUSA
Membro da Loja Maçônia
Loja Luz e Saber 2380
Goiânia - GO

Fonte: site da Loja Luz e Saber 2380

Fonte: http://www.gobgo.org.br/cultural/2009/palavras.html

A RELIGIÃO E A MAÇONARIA

Até hoje ouvimos questionamentos a respeito da nossa religiosidade, ou por outra, qual é a religião que professamos; muitos de nós maçons não estamos adequadamente preparados para responder a este questionamento de modo convincente, porém, acho que podemos e devemos dizer com toda tranquilidade:

- Maçonaria não é religião e não existe nenhum dogma religioso que force os seus membros a aceitá-lo; nós maçons simplesmente acreditamos na existência de um Ser Supremo, independente da crença de cada um dos seus membros.

A maçonaria, com suas milhares de lojas, esta presente em quase todos os países do mundo e desde o inicio da sua existência comprovada e documentada (1717) ela nunca foi sectária com qualquer religião e nunca promoveu ou aceitou que uma crença religiosa seja superior a uma outra.

Não existe um Deus maçom, para nós ELE é o Grande Arquiteto do Universo, que reverenciamos, porém, sem sectarismo, não oferecemos plano de salvação da alma após a morte; a maçonaria é uma invenção humana e nunca tivemos a pretensão de que as nossas cerimônias sejam guiadas pelas mãos de Deus.

Se acreditamos em um Ser Supremo, estamos descartando a presença de uma pessoa atéia em nossos templos, pois, ao pretender iniciar na nossa Ordem, o candidato precisa confirmar esta sua crença pessoal em um Deus Supremo; nenhuma loja maçônica regular pode abrir seus trabalhos sem que a Bíblia ou outro livro sagrado adotado por seus membros, esteja aberto no altar; assim como nominamos Deus com a expressão GADU, o livro que é aberto no altar é denominado Livro sagrado da Lei que, dependendo do local onde está sendo realizada a sessão, poderá ser A Bíblia Cristã, O Corão - Muçulmano, Tanach - escrituras Hebréias, Veda- Indu, ou mesmo os provérbios de Confúcio; em Israel são abertos três livros simultaneamente: a Bíblia, o Tanach e o Corão.

Todos os maçons são obrigados a fazer os juramentos que forem necessários, colocando a mão sobre um destes Livros Sagrados; se um indivíduo não acredita em um poder maior que ele mesmo, o juramento não terá nenhum significado para sua consciência.

Em algumas partes do mundo, Escandinávia, por exemplo, algumas lojas maçônicas exigem que os membros sejam cristãos e no Grande Oriente da França, considerada irregular por quase todas as potências maçônicas do mundo, é permitida a presença de ateístas como membros das lojas; alguns graus do Rito York e do Rito Escocês, apresentam temas Cristãos, usando como exemplos o Novo Testamento; embora nestes graus tenhamos lições de moralidade, , não existe a necessidade de se acreditar no Cristianismo, pois muitos Judeus maçons freqüentam estes graus, sem no entanto serem crentes de Cristo.


A Maçonaria e os Evangélicos

Não existe dúvida que a maçonaria nos Estados Unidos é constituída, em sua imensa maioria de membros, de Protestantes Anglo-saxônicos, aliás, em quase todos os países de língua inglesa o fenômeno se repete; a maioria absoluta dos corpos dirigentes dos protestantes nos Estados Unidos não fazem objeção a que seus membros sejam maçons, embora, eventualmente surjam vozes discordantes, como o ocorrido recentemente na Convenção da Igreja Batista do Sudeste, a maior associação de Batistas dos Estados Unidos que anunciou que a maçonaria é inconsistente com a crença que professam.

Na verdade o grande problema existente entre a maçonaria e os protestantes é a presença de grupos fundamentalistas e estes fazem objeção que os seus membros frequentem a maçonaria; a razão é o fato de que alguns dos seus ministros encorajam seus membros a “revelarem” sua fé em qualquer lugar e a qualquer hora; como na loja maçônica não há espaço para esta atividade, pela proibição de se fazer pregação sobre qualquer religião, torna-se impossível a pretendida pregação.

Sabemos, juntamente com alguns milhões de homens, através de mais de três séculos, que se tornaram membros desta Ordem Fraterna e dezenas de milhares deles eram Ministros religiosos, Rabinos, Bispos ou outros teólogos, que nenhum deles (que foram membros) confirmaram estas mentiras.

Há alguns anos, um irmão mestre maçom, da nossa Loja pediu “quit-place” e tive a oportunidade de conversar com ele, indagando-lhe a razão daquela atitude, respondeu-me que a igreja a que ele pertencia (não sei qual, porém, tenho certeza que era uma destas fundamentalistas que citei acima); não desejava que ele continuasse na Ordem; por que? Quis saber.

Ele então me respondeu, com toda sinceridade:

- Existem segredos na Ordem que só são revelados para os que atingem o grau 33 em uma cerimônia satânica de iniciação, ali são revelados o real desiderato da Ordem: dominar o mundo, impedindo o progresso da minha religião e o fato de nenhum membro poder expor sua fé e revelar para os outros irmãos o caminho da salvação dentro da Loja, mostra o poder deste segredo que não é revelado para todos os outros irmãos.


A Maçonaria e os Judeus

A maçonaria não tem nenhum conflito com o judaísmo; os primeiros judeus a iniciarem em uma loja maçônica fizeram em Londres por volta de 1721, justamente em uma época em que a sociedade européia se recusava a aceitar os judeus no seu meio, impedindo-os, inclusive, de assumir qualquer nacionalidade.

Voltando um pouco na história é preciso se lembrar da Peste bubônica que dizimou quase um terço da população européia no ano de 1.300 e os Judeus foram considerados culpados por este acontecimento, estes e outros eventos semelhantes deixaram marcas indeléveis na vida deste povo.

Ao serem aceitos na Loja maçônica, sentiram o fato como o símbolo da liberdade e da igualdade, em contraste com a sociedade que lhe afligia restrições; a loja foi o lugar onde Cristãos e Judeus sentaram-se lado a lado em igualdade de condições.

Alguns de nossos rituais levam-nos ao Velho Testamento, cujo conteúdo podemos dividir com os Judeus os ensinamentos dalí emanados, principalmente nossos primeiros três graus, que fazem referências a construção do templo de Salomão, construído pelos judeus.

Apesar de assistirmos, imobilizados, mais de seis décadas de violência no Oriente Médio, provocada pela criação do Estado de Israel em 1948, a maçonaria é muito forte em Israel, existindo ali cerca de 50 lojas, com Judeus, Cristãos e muçulmanos trabalhando juntos; o selo oficial da Grande Loja de Israel inclui a estrela de David, a Cruz Cristã e a lua crescente dos muçulmanos.

Em São Paulo existe uma loja maçônica quase que exclusiva de Judeus, o venerável da mesma é um médico cirurgião do aparelho digestivo e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, meu amigo Dr. Bruno Zilberstein.


A Maçonaria e o Islamismo

Como ocorre com o judaísmo e o Cristianismo, a maçonaria não tem conflito com o Islamismo, embora, no momento, apenas o Marrocos, Líbano e Turquia, dentre os países muçulmanos, aceitam as lojas maçônicas no seu território; em vários países Islâmicos, ser maçom pode resultar em sentença de morte

Há cerca de quatro anos estive em Istambul na Turquia, quando tive a oportunidade de visitar uma loja maçônica, onde fui recebido com enorme carinho por dois maçons que lá estavam; mostraram-me o interior da loja, onde fui fotografado em frente ao altar.

A história da relação da maçonaria com a Turquia é um capítulo à parte, a Ordem teve no passado grande dificuldade naquele país; tudo começou com o Papa Clemente XII que, como sabemos, excomungou a nossa ordem em 1738; naquela época era Sultão do Império Otomano, Mahmut I que, por conveniência política, seguiu à risca a bula Papal, proibindo a presença da maçonaria em todo o Oriente Médio e na África do Norte.

Na década de 1920 iniciou-se a chamada guerra pela Independência Turca, que foi um conjunto de levantes militares e políticos, capitaneados pelo maçom Mustafá Kemal Atatuk e que culminou com a dissolução do Império Otomano em 1922.

Logo após assumir a presidência do país em 1923, Atatuk iniciou o processo de separação entre a religião e o Estado ( O Islamismo deixou de ser religião do Estado em 1928), da generalização da instrução, permitindo o voto à mulher (aliás, antes de Portugal) e a incorporação do alfabeto latino, em vez do Árabe (hoje o árabe é utilizado apenas para assuntos religiosos, pois o Alcorão é escrito em Árabe); além disto ele aboliu a obrigatoriedade do uso do véu pelas mulheres.

Estas movimentações iluministas possibilitaram o retorno da maçonaria ao território turco, hoje com muita atividade laborativa; pelas pesquisas que efetuei, fiquei sabendo que ele, Atatuk, pertenceu a Loja maçônica “Italiana Macedônia Resorta Veritus” de Ancara.

Atatuk governou a Turquia por 15 anos, hoje existe um museu e Mausoléu em Ancara (capital da Turquia) em sua homenagem, ocupando uma área de 750 mil metros quadrados; em quase todas as cidades turcas existem monumentos em sua homenagem, tive a oportunidade de ver uma sua estátua em Istambul, a maior cidade da Turquia, situada no estreito de Bósforo.


A maçonaria e o catolicismo

Sabemos que temos alguma dificuldade de relacionamento com a cúpula da igreja católica, tudo começou com o Papa Clemente XII que editou, em 1738 uma bula, ameaçando com excomunhão qualquer católico que aderisse à maçonaria, várias outras bulas foram editadas tendo como foco a maçonaria, porém, a mais violenta delas foi a do Papa Leão XII em 1882 (Humanum Genus). Ele dividiu o mundo em dois reinos, de Deus e de Satã e a maçonaria foi incluída no reino de Satã.

Embora o Canon católico editado em 1983, não faça referência explícita à maçonaria, coisa que acontecia nas outras bulas (consideravam, todas elas, a maçonaria uma instituição subversiva, sob o ponto de vista político e religioso); levou muitos católicos sinceros na fé, a procurar as lojas maçônicas para se iniciarem, porém, no mesmo ano de 1983, o Cardeal Ratzinger, que depois tornou-se o Papa Benedito XVI, na época presidente da Sacra Congregação para a Doutrina da Fé, fez um esclarecimento, dizendo que não houve nenhuma mudança e que se um católico se tornar um maçom, poderá não receber a comunhão da igreja.

Embora no Brasil, especialmente em Goiás, não tenhamos, como instituição, nenhuma dificuldade na convivência com a igreja católica, a situação continua um pouco confusa, se formos observar o que existe de documentação. O maçom sabe que não existe conflito entre a sua religião e a nossa fraternidade, frequenta as duas instituições sem nenhuma crise de consciência.

Como maçom e católico considero uma grande pena estes acontecimentos, pois, no passado tivemos (figuras eclesiásticas da igreja católica e a maçonaria) relacionamento que permitiu algumas epopéias da história do Brasil; aproveitando a aproximação da data da nossa independência, para apenas referir a um acontecimento, está registrada na historiografia (nada pode mudar estes fatos), que vários padres ombrearam com a nossa instituição na luta pela Independência.

Um dos locais, considerado o Centro da Conspiração do movimento da Independência, era o Convento de Santo Antonio, no largo da Carioca no Rio de Janeiro, onde vivia o maçom, membro e ex-orador da Loja Comércio e Artes, Frei Francisco Sampaio; ali se reuniam, junto com Frei Sampaio, dentre tantos outros, os maçons Gonçalves Ledo, Cônego Januário Barbosa, José Joaquim da Rocha.

Se quisermos basear em informações divulgadas por historiadores não maçons, basta consultar “João Dornas Filho- Os Andradas na História do Brasil” para se inteirar da sua afirmativa: “A Lêdo e ao Cônego Januário se deve a proclamação ao Imperador, forçando-o ao Fico” ; precisa mais evidência para esta combinação de esforços entre a Igreja católica e a maçonaria?

Tivemos sob nosso teto, como maçons convictos, uma grande quantidade de padres, cônegos e frades, inclusive dois bispos – Dom Azeredo Coutinho, de Olinda e Dom José Caetano da Silva Coutinho, Bispo da Diocese do Rio de Janeiro.

Na atualidade, como assinala o escritor maçom João Bosco Corrêa, o grande acontecimento foi a missa celebrada por Dom Avelar Brandão Vilela, na Grande Loja Liberdade, no natal de 1975, com grande repercussão, tanto no Brasil como no exterior.

Tivemos no passado, na época do Império, uma grave crise entre a Igreja católica e a Maçonaria, porém, acredito que este poderá ser assunto para outra oportunidade, uma vez que alongamos mais do que devíamos esta exposição.

HÉLIO MOREIRA
Membro da Loja Maçônia
Asilo da Acácia 1248
Academia Goiana de Letras, Academia Goiana de Medicina,
Academia Goiana Maçônica de Letras
hmoreira@cultura.com.br

Palestra proferida na Loja Asilo da Acácia em 23/08/2011

Fonte: http://www.gobgo.org.br/cultural/2011/Religiao.html

O COBRIDOR INTERNO DE CADA UM


(Reflexões sobre a Consciência)

Todos os códigos e preceitos morais, estabelecidos em todas as épocas, têm um denominador comum: a separação entre o que é bom e o que é mau. Fazer o que é bom é moralmente correto. O que modifica é o conceito de BEM, variável segundo a cultura e evolução de um povo, em cada época. Variável também sob influências religiosas. Até mesmo a situação geográfica poderá influir no conceito do bem e do mal.

O homem primitivo, o Pithecantropus erectus, provavelmente era dotado de uma consciência rudimentar, não vivendo muito diferente dos outros animais. Mas, através dos milênios, o homem foi adquirindo autoconsciência, tomando conhecimento de si mesmo e do mundo à sua volta. Através da autoconsciência, o homem cria possibilidades de níveis mais altos de integração. Nesse estágio, o homem sabe que sabe e tem a faculdade de estabelecer julgamentos morais dos atos realizados, distanciando-se, deste modo, de outras espécies animais.

À medida que o homem, individualmente ou como raça, evolui, expandindo sua consciência, vai tornando mais complexa sua relação com o mundo e com si mesmo, porque outros fatores tornam-se importantes na estruturação de sua conduta moral. Um exemplo significativo, que me veio agora à mente: a escravidão de seres humanos. Há os relatos bíblicos a respeito desse assunto e, mais próximo de nós, a escravidão humana, oficializada em nosso país, até há bem pouco tempo. Era normal o senhor rico, dono de terras, construtor de igrejas (religioso portanto) ter os seus escravos, a quem tratava como animais, separados em senzalas, sem direitos e sujeitos a castigos inomináveis. Ah, mas havia os senhores bons! Até que ponto eram bons? Porque castigavam menos?

O que eu quero dizer é que, moralmente, era tido como correto ter, entre seus bens, os escravos. Além de tudo, amparado por lei. E ninguém tinha dor de consciência porque, além de legal, os limites das consciências de então eram muito estreitos, pautavam-se por padrões que hoje até nos horrorizam, e são incompreensíveis para nós. Havia as exceções, e entre estas, orgulhosamente, os maçons.

Outro exemplo é a separação de classes, mais evidente nos antigos, não tão antigos, reinados da Europa. A distância entre a plebe e a nobreza, odiosa, era uma coisa “natural”. Como era natural mandar alguém para a fogueira simplesmente por admitir fatos, tidos como heréticos, e que hoje qualquer pessoa admite como se nunca houvesse sido diferente. Mutatis mutandis, hoje é a mesma coisa, com outra roupagem, basta ler os jornais e ver a televisão. As condutas morais em nosso tempo, estribadas na maior parte em leis, estão a exigir outras “revoluções francesas”. Revoluções brancas, sem dúvida, porque de 1.792 até agora, a humanidade evoluiu um pouco e, em vez de paus, porretes, sabres ou baionetas, temos o voto, arma silenciosa porém, de uma eficácia ainda não percebida por todos.

Retomando o fio do raciocínio: à medida que o homem cresce interiormente, tomando consciência dos valores intrínsecos da alma, seus padrões morais também se modificam, tornam-se mais sutis, havendo maior exigência de si mesmo no comportamento moral. Há a influência do meio, da estabilidade social, da religiosidade, da cultura própria de seu país e de muitos outros fatores.

De qualquer maneira que se olhar o padrão moral do homem, ou de um povo, uma coisa é certa: a consciência é o fator principal na crivagem do bem e do mal.

A consciência é o Cobridor Interno. É o guardião permanente de nossa conduta. A todo momento, em nosso dia-a-dia, nos relacionamentos profissionais ou familiares, a nossa consciência é abordada no sentido de responder às questões que surgem. É ela quem nos diz: isso é bom ou isso é mau. Por isso, é preciso reflexão antes de tomarmos decisões, na base do sim ou do não. Uma conduta impensada, uma frase inoportuna e mal colocada, poderão trazer-nos dissabores o resto da vida, porque agimos contra a consciência, que não teria sido ouvida devidamente.

Tomemos tento, portanto, em nosso guardião interno. Falar e agir, segundo seus ditames. Se ele nos diz, não faça isso, não façamos.

De um modo geral, o que não gostaríamos que nos fizessem, não devemos fazer a outrem. Agindo assim, teremos um bom caminho andado para vivermos felizes e cheios de amigos, não sendo necessário abandonar nossos princípios e nem pactuar com atos indignos ou incorretos.

Num homem pouco evoluído, no entanto, esses limites de consciência não tem a mesma dimensão da de um homem com mais madurez de alma e, assim, o mal praticado por alguns, não teria para os seus praticantes o mesmo nível moral. Praticam o mal sem se aperceberem do desvio moral em que estão incorrendo. É necessário apenas um pouco de atenção para percebermos isto, em nossos relacionamentos imediatos ou não. (Um exemplo recente é o do deputado “pianista”, no Congresso. Para muitos de seus pares, e para ele próprio, um deslize pequeno não significa ser desonesto. . . questão de ponto de vista).

Em nossos Templos, em fora deles, temos um campo imenso para exercitar a consciência – e expandi-la. No silêncio de nosso Templo Interior, abriga-se a alma, com os atributos que lhe foram dados pelo Grande Arquiteto do Universo, Deus.

Quando tivermos consciência de todo o nosso potencial espiritual, estaremos prontos para sermos maçons, em plenitude.

FAUSTO RODRIGUES DO VALLE
Membro da Loja Maçônica Francis Bacon 2610
Goiânia - GO

Fonte: http://www.gobgo.org.br/cultural/2009/cobridor.html

A TOLERÂNCIA NA MAÇONARIA

A TOLERÂNCIA

A nossa Sublime Ordem exige de seus Iniciados o cumprimento de sérios deveres e enormes sacrifícios.

A Maçonaria proclama em seus Princípios Gerais “que os homens são livres e iguais em direitos e que a tolerância constitui o principio cardeal nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um”.

A nossa Sublime Ordem proclama a TOLERÂNCIA entre os seus Iniciados.

O vocábulo TOLERAR não significa apenas ser indulgente, ser condescendente, ser transigente, ser permissivo, mas acima de tudo significa saber suportar.

No mundo atual, praticar a tolerância a cada dia exige muito de nós, pois a conturbação social e a pressão psicológica exercida sobre o homem, torna-o mais que nunca exigente, imprudente, agressivo e até inconseqüente. É nesse contexto, que tolerar assume importância fundamental entre os homens.

Se o profano sente-se desobrigado de praticar a tolerância, para o Maçom o mesmo não acontece: TOLERAR É UM DEVER. Este principio está intrinsecamente ligado a um dos fins supremos da Sublime Ordem: A FRATERNIDADE.

O Salmo 132 da Bíblia Sagrada é elogio da concórdia e união fraterna, quando diz: “Ó quão bom e quão suave é viverem os Irmãos em união! É como o perfume derramado na cabeça, que desce sobre a barba de Aarão, que desce sobre a orla de suas vestes. É como orvalho do Hermon, que desce sobre o Monte Sião, porque o Senhor derramou ali a sua bênção e vida para sempre”.

A cada dia, nós Maçons temos por obrigação exercitar a pratica da tolerância, o que facilita sobremaneira todo o relacionamento entre os Irmãos, ampliando o espírito fraterno que existe no seio de nossa entidade milenar.

A partir da Iniciação o Maçom é uma pessoa diferenciada, porque se lhe abrem as portas da verdadeira amizade. A Fraternidade que passa a viver entre os Irmãos é a exteriorização mais concreta da felicidade de ser Maçom.

A tolerância do Maçom não pode se limitar apenas ao relacionamento com o próximo. Há que ser também paciência no desenvolvimento das etapas, que permite o crescimento e o progresso individual em todos os aspectos.

Não é fácil ser Maçom. Se relacionar exige paciência e tolerância, fazer progresso na Maçonaria exige muito mais.

Ingressar na Maçonaria é um fato, fazer progressos na Ordem é outro. Manter-se motivado é fundamental para o crescimento interior do Obreiro, o que lhe dá um prazer imensurável de ser Maçom.

Não raro, Iniciados deixam a Instituição logo após o seu ingresso. A verdade é que esses Irmãos não buscam a LUZ, assim, não conseguem ver o seu brilho, tampouco descobre a sua direção. Para os que buscam o crescimento, o caminho é longo, contínuo e às vezes áspero, é preciso saber perseverar.

No seio da Sublime Ordem, é necessário querer progredir, tolerar, estudar, buscar a verdade para que haja a transformação do homem que renasceu para o mundo.

O homem profano perde-se nas solicitações mundanas. O consumismo, a falta de interiorização deixa-o esquecido de si mesmo. Sua convivência com os vícios, acaba por fazê-lo infeliz. Nessa alienação passa a buscar a felicidade fora de si mesmo, nas drogas, no fanatismo religioso e tudo o mais que foge a própria pessoa, numa fuga do seu mundo vazio. A Maçonaria é o oposto de tudo isso, daí a dificuldade de se buscar o crescimento no seu seio.

Acostumados que fomos à vida profana, às vezes perdidos na busca de objetivos vãos, encontramos dificuldades para alcançar a plenitude maçônica. É por isso que alguns desistem. Contudo, o estudo contínuo propicia o aperfeiçoamento, pois através dele há uma constante evolução de conhecimentos.

A Iniciação de novos valores fortalece cada vez mais a nossa Instituição, porque vem somar forças para a construção de sua grande obra, o bem da humanidade.

ALCIDES LUIZ DE SIQUEIRA
Membro da Loja Maçônica Asilo da Acácia 1248
Goiânia - GO

Fonte: http://www.gobgo.org.br/cultural/2009/tolerancia.html

MAÇONARIA E JUSTIÇA SOCIAL

MAÇONARIA E JUSTIÇA SOCIAL
Admiro duas instituições na humanidade: uma é o cristianismo, outra, a Maçonaria. A primeira é divina; a segunda é a obra mais perfeita que o homem compôs. – Joaquim SALDANHA MARINHO.

Os mais eruditos historiadores maçônicos ainda não chegaram a uma definição quanto a data certa de fundação da Instituição Maçônica, cuja origem perde-se nas noites do tempo.

Cada um tem sua própria opinião, chegando-se, muitos, à conclusão de que ela existe desde que a família sentiu necessidade de se congregar em sociedade, para a defesa de seus ideais.

Se voltarmos nossos olhos para o passado longínquo, encontraremos nas trevas brumosas do tempo, os Obreiros dedicados, em lutas constantes contra o poderio do mal. Podemos dar a esses agrupamentos de homens, os nomes mais variados, porém, a essência, os objetivos, os fins almejados, são os mesmos: sempre a procura da verdade e a defesa da família, da pátria e da humanidade, contra aqueles que têm buscado, tão-somente, o aniquilamento dos supremos ideais de liberdade, de progresso, de mudanças e transformações, graças ao processo de esclarecimento dos menos esclarecidos, da educação e até mesmo das lutas pela preservação dos direitos mais comezinhos de se viver livre e independente, buscando, a cada dia, novos progressos sociais.

Assim é que, deixando para trás os egípcios, os fenícios, os medas e persas, os chineses e indianos, chegamos a escola dos essênios, com novos e reais ensinamentos, principalmente com um brado ao mundo de que “Todos somos Irmãos”.

A respeito dessas sociedades antigas, escreveu Cícero, o grande orador romano: “Foram os mistérios que nos tiraram do estado bárbaro e feroz que dominava os nossos antepassados. É o maior bem que, entre outros muitos, nós devemos a cidade de Atenas; é de lá que nós aprendemos não só a viver com júbilo, mas também a morrer tranqüilos, na esperança de um porvir mais feliz”.

Passamos pela idade media, pagina negra da historia universal, com a implantação da mais tremenda e horripilante intransigência clerical – através do Tribunal do “Santo Ofício”, mas conhecido pela famigerada “Inquisição”.

Foi nesse período que a ação da Maçonaria mais se fez sentir, defendendo os huguenotes na França, Bélgica e Suíça, abrigando-os na Holanda e Alemanha, contra a sanha sanguinária dos Torquemadas.

Na Europa, principalmente em Portugal, é ela que corre em socorro dos infelizes e sacrificados judeus. É ela, ainda, que sentido nas próprias carnes a tirania feudal, parte, em nome do direito das gentes e da igualdade dos povos, para uma luta tenaz e titânica, que vem culminar com a derrubada de um dos grandes monstros que infelicitavam a humanidade – através da queda da Bastilha, em 14 de julho de 1789. Foi seu período de grandiosidade, em que a DECLARAÇAO DOS DIREITOS DO HOMEM criou os ideais sagrados de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, que vieram a se constituir nos supremos fins da Instituição.

As Nações Européias em fragmentação precisavam ser salvas e justamente a América é que demonstrou a grande capacidade de poder da Instituição Maçônica, através de extraordinários libertadores, desde San Martin a Bolívar, Moreno a Juarez, que foram Maçons e basearam suas lutas nos ideais maiores da Instituição.

Chegamos ao Brasil!

Que historia gloriosa e exemplos de brasilidade nos foram legados pelos cultores da Arte Real, desde os primeiros vagidos de nossa Independência.

Iniciados em Lojas Maçônicas européias, para cá vieram as primeiras luzes maçônicas e orientações básicas, visando nossa libertação do domínio português, iniciando-se os primeiros movimentos armados com a Insurreição Mineira de 1789. A Revolução Pernambucana de 1817, baseada nos mesmos princípios da antecessora, que teve em ilustres Maçons e homens públicos de então, o afogamento em sangue, dos sentimentos sagrados de Liberdade.

Não desanimados com os insucessos obtidos, os Maçons se insurgiram no Pará, no Rio Grande do Norte, no Ceará e na Bahia, com a “Sabinada”, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, com a “Guerra dos Farrapos”.

Foram movimentos armados, dos quais participaram somente os homens, cuja grandeza de espírito e cunho de moralidade, foram moldados nos Templos Maçônicos, que exigiam de seus Iniciados, entre outras, a promessa de luta constante e sem tréguas, visando alcançar a nossa Independência.

Objetivando acelerar o processo de Independência, por habilidade e interesse dos Maçons, D. Pedro I foi Iniciado na Maçonaria e imediatamente guindado a direção suprema do Grande Oriente do Brasil.

Finalmente em 1822 a Independência foi alcançada.

Não parou aí a nossa atuação.

Comemoramos o Centenário da Abolição da Escravatura, e quem desconhece o papel desempenhado pela Maçonaria na Campanha da Abolição?

Já o poeta Castro Alves, Maçom convicto e absorvido pelos ideais de liberdade pregados pela Maçonaria, bradava ao mundo contra a opressão, como fazem provas seus poemas, dos quais destacamos parte de O Navio Negreiro onde ele clama:

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

E dentro da cronologia histórica brasileira sobre a Extinção da Escravatura, todos os acontecimentos desde 1826 a 1888, tiveram a participação da Maçonaria, quer direta ou indiretamente, através de seus membros que ocupavam altos cargos no Império, culminando com a participação do Maçom Rodrigo Augusto da Silva, Ministro da Agricultura, que compareceu perante a Câmara, onde leu:

Augustos e Digníssimos Senhores Representantes da Nação: Venho em nome de sua Alteza e Princesa Imperial Regente, em nome de sua Majestade o Imperador, apresentar-vos a seguinte proposta:

Art. 1º - É declarada extinta a escravidão no Brasil

Art. 2º - Ficam revogadas as disposições em contrario.

Palácio do Rio de Janeiro, em 8 de maio de 1888.

Rodrigo Augusto da Silva.

O projeto foi aprovado pela Câmara e pelo Senado e no dia 13 de maio de 1888, foi convertido em Lei, tomando o nº. 3353, com a assinatura da Princesa Isabel, Regente, que daquele momento em diante passou a ser cognominada de a Redentora, isto devido a ausência do Imperador, que viajava para a Europa.

Assim foi a luta da Maçonaria e tem sido até os dias presentes, pois onde existir uma Loja Maçônica, aí estará um núcleo de defesa dos sagrados ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Hoje, busca ela, com mais empenho, a Justiça Social.

Por que Justiça Social? Por compreendermos que os homens só serão verdadeiramente livres, quando forem todos nivelados socialmente.

No campo internacional é inquestionável a atuação da Maçonaria, desde a Revolução Francesa e outros acontecimentos de repercussão mundial, como a Carta das Nações Unidas, promulgada em 26 de junho de 1945, em cujo Preâmbulo, lemos:

Nós, os Povos das Nações Unidas, Resolvidos a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, que por duas vezes, no espaço da nossa vida, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade, e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas, e, ...

E Para Tais Fins praticar a tolerância e viver em paz, uns com outros, como bons vizinhos, e ...

Resolvemos Conjugar Nossos Esforços Para a Consecução Desses Objetivos.

Em vista disso, nossos respectivos governos, por intermédio de representantes reunidos na cidade de São Francisco, depois de exibirem seus plenos poderes, que foram achados em boa e devida forma, concordam com a presente Carta das Nações Unidas e estabelecem, por meio dela, uma organização internacional que será conhecida pelo nome de NAÇÕES UNIDAS.

Três anos depois, a 10 de dezembro de 1948, na Sessão Ordinária da Assembléia Geral das Nações Unidas, foi aprovada a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM, que diz em seu inicio:

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo.

Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso.

Agora, portanto, a Assembléia Geral proclama a presente

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM

Como o ideal comum a ser atingindo por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada individuo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Art.I – Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Art. II – 1. Todo homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

Art. III – Todo homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Art. IV – Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o trafico de escravos serão proibidos em todas as suas formas...

Seguem-se outros artigos de igual valor e importância.

Quais os verdadeiros objetivos da Maçonaria?

Rebold, in History of Masonry, responde assim:

O verdadeiro objetivo da Maçonaria pode resumir-se nestas palavras: desfazer nos homens os preconceitos de casta, as convencionais distinções de cor, origem, opinião e nacionalidade, aniquilar o fanatismo e a superstição, extirpar os ódios de raça e com eles, o açoite da guerra, em uma palavra chegar pelo livre e pacifico progresso, a uma fórmula e modelo de eterna e universal justiça, segundo a qual, todo ser humano possa desenvolver livremente as faculdades de que esteja dotado e possa vir a concorrer cordialmente e com todas as forças para a comum felicidade dos seres humanos, de sorte que a Humanidade venha a ser uma só Família de irmãos unidos pelo afeto, cultura e trabalho.

Assim é que a Constituição do Grande Oriente do Brasil, em seu Preâmbulo, estabelece como Princípios Gerais da Instituição:

Art. 1º. A Maçonaria é uma instituição essencialmente iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista. Proclama a prevalência do espírito sobre a matéria. Pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade. Seus fins supremos são: LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE.

Além disso:

I – Condena a exploração do homem, os privilégios e as regalias, enaltecendo, porém, o mérito da inteligência, e da virtude, bem como o valor demonstrado na prestação de serviços à Ordem, à Pátria e à Humanidade;

II – afirma que o sectarismo político, religioso ou racial é incompatível com a universalidade do espírito maçônico. Combate a ignorância, a superstição e a tirania;

III – proclama que os homens são livres e iguais em direitos e que a tolerância constitui o princípio cardeal nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um;

IV – defende a plena liberdade de expressão do pensamento, como direito fundamental do ser humano, admitida a correlata responsabilidade;

V – reconhece o trabalho como dever social e direito inalienável; julga-o dignificante e nobre sobre quaisquer de suas formas. . .

Baseados nesses princípios, é que as Lojas Maçônicas, como luzeiros da comunidade, buscam através da atuação de seus membros, praticar os atos necessários, para que a justiça social seja fato presente e constante em nossas atividades, pelo trabalho desinteressado de seus Iniciados.

A Maçonaria hoje, mais evoluída e cristianizada – resume sua filosofia na tríade sublime: VERDADE, BELEZA E BONDADE; seu ideal político, nas palavras: LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE, englobando tudo, enfim, em: DEUS, VIRTUDE e CIÊNCIA.

Assim é que conhecendo a origem igual de todos nós, da necessidade de nos congregarmos em comunidade, para aproximação sincera e justa, urge que sejamos unidos, assistindo uns aos outros, dentro dos postulados que nos regem, deitando por terra as barreiras que dividem os homens, como o orgulho, a inveja, a ambição, a avareza e outros males, buscando legar aos nossos pósteros, exemplos dignos de imitação.

E isso temos feito. Escolas são erguidas e sustentadas. Abrigos para amparo da velhice; asilos para alienados, lar para meninas e institutos para meninos, são obras diversas mantidas por Maçons, buscando auxiliar as instituições publicas, na elevação do conceito moral da família e na justa compreensão de que apesar de tudo ainda existe “Justiça Social”.

Onde houver um maçom, seja no Congresso Nacional ou nas Assembléias Estaduais, nos Legislativos Municipais ou nas Repartições Públicas, nos Consultórios Médicos ou nos Tribunais, nas Escolas ou no Comercio, enfim, onde quer que ele se apresente, aí estará o pregoeiro da paz e da Justiça Social, através do exemplo, do trabalho, da moralidade no trato da coisa publica e da preservação dos bons costumes.

Pelas razoes expostas, dizemos que a maçonaria é símbolo de justiça, de defesa dos sagrados princípios norteadores da família e sobretudo, escola forjadora de moralidade e bons costumes, e que busca, incessantemente, implantar a paz, a harmonia e a concórdia, para a grandeza e prosperidade da nação, da qual somos parte integrante.

ABSAÍ GOMES BRITO
Membro da Loja Maçônica Liberdade e União 1158
Goiânia - GO

Fonte: http://www.gobgo.org.br/cultural/2009/justica.html

O PENSAMENTO FILOSÓFICO DA MAÇONARIA


O PENSAMENTO FILOSÓFICO DA MAÇONARIA

Não é costume da maçonaria discutir sua doutrina fora dos seus templos, porém, sintonizado com a necessidade de maior aproximação com o mundo que nos rodeia, ao qual todos nós pertencemos, levou-me a tomar a decisão de expor um pouco da nossa filosofia, do nosso pensamento.

Permitam-me, que num esforço de síntese, provavelmente superior à minha capacidade intelectual, possa trazer-lhes algumas considerações sobre nossa filosofia de pensamento, nosso simbolismo.

No inicio do século XVIII apareceu em Londres uma sociedade, provavelmente já existente antes (há passagens bíblicas superponíveis ao seu simbolismo), ao qual ninguém sabe dizer de onde vinha, o que era e o que procurava. Expandiu com incrível rapidez pela Europa Cristã, principalmente na França e Alemanha, chegando até a América. Homens de todas as classes sociais, étnicas e religiosas entraram para o seu circulo – chamavam-se, mutuamente, de Irmãos.

Esta sociedade, intitulada Associação dos Pedreiros Livres, atraiu a atenção dos governos; foi perseguida; foi excomungada por dois Pontífices; suas ações levantavam suspeitas odiosas. No entanto ela resistiu a todas estas tempestades, difundindo-se, cada vez mais, até chegar aos nossos dias.

Podemos dizer que basicamente existem três correntes de pensamento maçônico:

- Maçonaria inglesa, de cunho tradicionalista, observadora e seguidora dos rituais; mantém-se imutável nos seus três séculos de existência documentada. É estática e conservadora.

- Maçonaria francesa, embora originária da Britânica, sofreu alterações através dos tempos, ditadas pelas condições do meio em que se desenvolveu, adquirindo feição mais latina, tornando-se conhecida pela ação exercida por seus membros, como cidadãos, nas áreas política, social e religiosa. A maçonaria brasileira e dos demais países hispano-americanos são, filosoficamente, a ela filiados. Formada no meio hostil e intolerante à liberdade de pensamento, partiu para a luta que visava transformar estas condições adversas. São muito vivas e documentadas as lembranças de sua participação na Revolução Francesa, quando sobressaíram grandes maçons como Danton, Robespierre e Diderot; na independência de quase todos os países da América Latrina, com a participação efetiva de notáveis maçons, como Simon Bolívar, San Martim, Sucre e Francisco Miranda; na independência do Brasil e na proclamação da republica, para citar alguns irmãos da Ordem, como Dom Pedro I, José Bonifácio, Gonçalves Ledo, Deodoro da Fonseca, Rui Barbosa, Floriano Peixoto, Quintino Bocaiúva, dentre outros.

- Maçonaria Alemã, voltada para os estudos filosóficos de alta indagação: Goethe, Kant e Fichte são exemplos de filósofos e literatos que honraram nossa Instituição com suas adesões.

A maçonaria resistiu à prova do tempo, enquanto muitas outras organizações, aparentemente similares, desapareceram. Isto aconteceu porque ela é, por principio, uma Instituição com propósitos universalistas. A “sociedade separada dos maçons” se distingue da “grande sociedade humana” porque ela se isola para impedir a visão unilateral da divisão de trabalho, atingindo, com isto, a síntese da cultura humana.

A Igreja se opõe a outras Igrejas, o Estado a outros Estados, a Maçonaria não; ela toca no santuário do espírito, o problema ético individual; ela atua sobre a república dos espíritos, administra o pluralismo de opiniões.

Esta Instituição exalta tudo o que une e aproxima as pessoas e repudia tudo aquilo que divide e as isola. Isto acontece porque ela aspira, por principio, fazer da humanidade uma grande família de Irmãos e para atingir este desiderato, se põe sempre a serviço dos movimentos moralizadores e dos bons costumes.

Ela prepara o terreno onde florescerão a justiça e a paz. Sua única arma é a espada da inteligência; sabe que o único modo de produzir, mesmo socialmente, uma mudança profunda e durável de uma sociedade, é trabalhar para modificar a sua mentalidade.

Os pilares que sustentam esta vontade indomável de transformar, primeiro o homem e, por corolário, todo o universo dos homens, são três palavras mágicas: liberdade, igualdade e fraternidade.

“O amor à liberdade foi-nos dado juntamente com a vida e dos presentes do céu, o de menos valor é a vida” afirmou Goethe, o famoso literato alemão e nosso Irmão de Ordem; afirmo eu, corroborado pelos registros da história, que em nenhuma parte do mundo, jamais houve um grito de liberdade para um povo que não houvesse sido apoiado pela Maçonaria.

A liberdade é a essência intima e supremo desejo do homem e os indivíduos, pela sua colaboração mútua, visam criar uma alma coletiva; embalados pelo sopro do vento que libera os grilhões do obscurantismo, “A filosofia verdadeira, no dizer do grande filósofo e irmão de Ordem, o alemão Fichte, considera o pensamento livre como a fonte de toda a verdade independente”.

No que diz respeito à igualdade, a maçonaria reconhece que todos os homens nascem iguais e as únicas distinções que admite são o mérito, o talento, a sabedoria, a virtude e o trabalho.

Para dizer o pensamento da Ordem sobre a fraternidade, peço licença para repetir o que disse outro maçom, o imortal Victor Hugo: “A civilização tem suas frases, estas frases são séculos. A lógica das frases, expressão da idéia Divina, se condensam na palavra Fraternidade”.

HÉLIO MOREIRA
Membro da Loja Maçônia
Asilo da Acácia 1248
Academia Goiana de Letras, Academia Goiana Maçônica de Letras
Academia Goiana de Medicina, Escreve às terças feiras no Jornal Diário da Manhã
hmoreira@cultura.com.br

Trabalho publicado no Jornal Diário da Manhã, edição de 27/01/2009.

Fonte: http://www.gobgo.org.br/cultural/2009/pensamento.html